Voltava para casa, ônibus lotado, engarrafamento, nada mais típico para o Rio de Janeiro.
A mochila estava pesada, livros, livros e mais livros, as vezes penso que o conhecimento poderia ser menos volumoso. Mas, se por enquanto é assim que ele se manifesta, prefiro não protestar.
Puxei a cordinha e caminhava distraidamente pela rua das laranjeiras.
Andei reto, parei na locadora, me perdi dentre tantas coisa. Vídeos, livros e café..tudo ao mesmo tempo...me parece um crime não parar um pouco, sentir aquele aroma, apreciar aqueles livros e olhar todos aquele filmes querendo alugar, pelo menos, metade deles.
Passados trinta segundos, organizei minhas ideias e me conectei ao planeta Terra. Finalmente me convenci que poderia alugar apenas um filme...
Eram tantos...taaaaaantos...passados mais alguns minutos resolvi sortear algum e contar com a providência divina. Passei a mão descompromissadamente e aleatoriamente puxei uma caixa.
OLGA. Judia, comunista, mulher, revolucionária. OLGA.
Seria um bom filme?
Em plena quinta-feira?
Aluguei.
Assisti.
Parece romântico demais dizer que me senti inpirada, que voltei a acreditar em certos valores que muitos consideram utopia.
Mas, reencontrei meu espírito revolucionário, aquele ideal rebelde e um tanto imaturo, característico de quem acredita que ainda pode mudar o mundo.
E eu descobri. Eu sou assim: insana, criança, imatura, mas cheia de esperança e vontade de mudar alguma coisa.
"Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue" (Olga para Prestes)
sexta-feira, 8 de maio de 2009
sexta-feira, 27 de março de 2009
quarta-feira, 16 de julho de 2008
o inferno é aqui
Os quilômetros vão avançando, e eu lentamente me despido dessa crosta, desse cárcere da classe média, desse Brasil que me parece tão normal.
Avanço os pedágios, os buracos e todas falhas da estrada, pra chegar em um Brasil diferente, um Brasil onde não se vê ordem ou progresso, onde nem as 27 estrelas de nossa bandeira podem iluminar a vida daqueles que só conhecem a miséria.
Miséria que nem sempre é material, esses homens tem comida, tem casa, tem cama, alguns até tem eletrodomésticos comprados as custas em muitas prestações, mas eles vivem em uma rotina alienadora, uma rotina que não lhes dá espaço para sonhar, criar utopias, ou sair daquele campo de atuação tão pequeno, onde apenas lhes cabe manusear, machados, rastelos e pás, durante incessantes horas de trabalho .
Eles tem tão poucos valores, tão poucos objetivos, que as vezes até pensam em desistir, pois sabem que ali não há futuro, nem para eles, nem para suas próximas gerações, que talvez até verão uma esperança em longínquas escolas que poucos lhes ensinarão e trarão grandes traumas com professores frustrados e diretoras mal-humoradas.
E sabe o que falta? Falta cultura, atualização, inclusão social, falta mostrar outro horizonte para aqueles homens que vivem agarrados em imagens de nossa senhora e jesus Cristo idealizando um céu, crendo que aquele sol ardente e aquela terra improdutiva são na verdade um grande inferno.
Avanço os pedágios, os buracos e todas falhas da estrada, pra chegar em um Brasil diferente, um Brasil onde não se vê ordem ou progresso, onde nem as 27 estrelas de nossa bandeira podem iluminar a vida daqueles que só conhecem a miséria.
Miséria que nem sempre é material, esses homens tem comida, tem casa, tem cama, alguns até tem eletrodomésticos comprados as custas em muitas prestações, mas eles vivem em uma rotina alienadora, uma rotina que não lhes dá espaço para sonhar, criar utopias, ou sair daquele campo de atuação tão pequeno, onde apenas lhes cabe manusear, machados, rastelos e pás, durante incessantes horas de trabalho .
Eles tem tão poucos valores, tão poucos objetivos, que as vezes até pensam em desistir, pois sabem que ali não há futuro, nem para eles, nem para suas próximas gerações, que talvez até verão uma esperança em longínquas escolas que poucos lhes ensinarão e trarão grandes traumas com professores frustrados e diretoras mal-humoradas.
E sabe o que falta? Falta cultura, atualização, inclusão social, falta mostrar outro horizonte para aqueles homens que vivem agarrados em imagens de nossa senhora e jesus Cristo idealizando um céu, crendo que aquele sol ardente e aquela terra improdutiva são na verdade um grande inferno.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Antitéticamente
O extremo não se encontra na antítese, não se habita no branco ou no preto ou se diferencia feito o pão e o vinho.
O paradoxo se apresenta na uniformidade que destoa as diferenças.
De tanto ser igual o homem se pôs a ser diferente, decretou novas leis e imprimiu uma constituição de um mundo perdido onde involuntariamente acatamos tamanha calamidade.
O caráter fundamentalmente já perdeu seu sentido e os sentidos já perderam todo seu caráter.
Não há nada que se mantenha estável, vivemos em uma rotação ideológica, o mundo gira mediante uma lógica simples e imperativa: mande, humilhe, atire, atinja, magoe, aflija, chore, ignore,mate...lave as mãos
O paradoxo se apresenta na uniformidade que destoa as diferenças.
De tanto ser igual o homem se pôs a ser diferente, decretou novas leis e imprimiu uma constituição de um mundo perdido onde involuntariamente acatamos tamanha calamidade.
O caráter fundamentalmente já perdeu seu sentido e os sentidos já perderam todo seu caráter.
Não há nada que se mantenha estável, vivemos em uma rotação ideológica, o mundo gira mediante uma lógica simples e imperativa: mande, humilhe, atire, atinja, magoe, aflija, chore, ignore,mate...lave as mãos
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Brasil...
-Compre os ingredientes
-leia a receita cautelosamente
-coloque cada ingrediente em seu devido lugar
-unte, bata, mexa, chacoalhe, massageie, achate, jogue o fermentos, o sal, o açucar....
-agora coloque no forno já pré-aquecido
-espere um pouco
ps: se o bolo solar não se espante, decore com uma jujubas, bastante calda e granulado que o que está dentro as pessoas parecem não notar....
-leia a receita cautelosamente
-coloque cada ingrediente em seu devido lugar
-unte, bata, mexa, chacoalhe, massageie, achate, jogue o fermentos, o sal, o açucar....
-agora coloque no forno já pré-aquecido
-espere um pouco
ps: se o bolo solar não se espante, decore com uma jujubas, bastante calda e granulado que o que está dentro as pessoas parecem não notar....
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Sobre tudo que se passa, sobre o chão que não se inquieta, sobre segundos que deslizam, sobre a vida que escorrega.
Que cai...
Cai...
Em declínio sem parar.
Sobre a pobreza que aumenta, sobre a esmola que humilha, sobre a hierarquia traiçoeira, sobre a “demo-cracia” que fragmenta.
Sobre rodas numa ladeira, sobre o freio que não sustenta, sobre a marcha emperrada, sobre a esperança sufocada.
Sobre a ausência, sobre a tristeza, sobre a lágrima contida, sobre tudo, sobre nada, submundo, sobrevivência.
"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos, façamos tudo para não viver inteiramente como animais."
(José Saramago)
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