quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sobre tudo que se passa, sobre o chão que não se inquieta, sobre segundos que deslizam, sobre a vida que escorrega.

Que cai...

Cai...

Em declínio sem parar.

Sobre a pobreza que aumenta, sobre a esmola que humilha, sobre a hierarquia traiçoeira, sobre a “demo-cracia” que fragmenta.

Sobre rodas numa ladeira, sobre o freio que não sustenta, sobre a marcha emperrada, sobre a esperança sufocada.

Sobre a ausência, sobre a tristeza, sobre a lágrima contida, sobre tudo, sobre nada, submundo, sobrevivência.



"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos, façamos tudo para não viver inteiramente como animais."

(José Saramago)

sábado, 19 de janeiro de 2008

Um dia a borboleta bate as asas...

Eis que chega um dia que o fardo pesa, aquela mascara que de pesada nos doía a coluna, agora cai fazendo um estrondo. Ela deixa pelo caminho fragmentos de uma fase que não soubemos admitir nosso próprios jeitos, fomos induzidos a seguir um estereótipo que nos rodeia, fomos obrigados, quase (repito quase) que involuntariamente, a nos padronizar á um sociedade, para de alguma forma sermos aceitos .
É difícil enxergar como os segundos podem nos modificar: nossas ideologias se perdem com medo de repressão, nossa liberdade já não mais se figura a mesma, não que haja leis oficiais que nos impeçam de nos expressar, mas hoje é a mídia quem dita as regras, é difícil negar que somos presos a ela, é tentador estar na moda, é um veiculo que em todos as suas vias consegue nos hipnotizar.
Mas um dia sentimos necessidade de nos opor, não como um socialista revolucionário, mas apenas como alguém que pretende de alguma forma deixar seus humildes passos na areia da vida.
Hoje meu peito clama alto uma vontade forte de sair desse casulo, de bater minhas asas e admitir tudo que verdadeiramente me cativa por aqui.
Desejo vestir minhas cores sem ao menos saber se elas combinam, desejo adorar ao meu Deus sem vergonha de rotularem fanatismo, desejo escolher amigos sem nenhum tipo de preconceito.Desejo admitir que a minha composição não é uniforme, não fico satisfeita em ser rotulada e simplesmente colada em algum tipo de lata para depois viver na indiferença.
Dizem que a passagem pela terra é curta, então...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007



É um anjo de asa quebrada, é a felicidade personificada.
Não é miragem, não é fantasia, é concreto, é melhor que uma utopia, é sincero, é preciso, é homem, é bicho, é fada, é milagre, é luz em minha penumbra, é paz em meio de guerra, são lágrimas de emoção, é amor, é confiança, é plena devoção.
É santo não canonizado, é monumento de carne e osso, é a Colombina de Pierrot, é a Beatriz de Chico Buarque, é a droga de um viciado, é o Fidel de Hugo Chávez.
É o braço que me faltava, o olho que me faz enxergar, é o sangue que corre em minhas veias, é a minha hemodiálise, é roupa que me veste, é o oxigênio que respiro.
É o paradoxo que me competa, a metáfora da minha vida, é tudo no meu nada, é o apoio incondicional, é pra sempre, é sem medida, é a escada que me faz alcançar. É mais que um substantivo, é a oração à qual sou subordinada, é além do que posso escrever, é resumido em uma codinome, é Maria, é João, é Jose ou Madalena...É amigo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007


Se pudesse comprava um sorriso permanente, que cobrisse minhas tristezas feito um manto, que inibisse minhas inseguranças, que de sensibilidade convencesse o mundo afora.

Compraria um sorriso, o mais belo que fosse ,que cantasse o mais melódico dos “bom dias”, que fosse capaz de exaltar-se em meio de insultos.

Um sorriso largo de covinhas profundas, uma matéria prima para Picasso, um sucessor de Monalisa...

Um sorriso mais puro que de uma criança, mais descompromissado que de um boêmio, mas convincente que de um palhaço e mais sincero que de um expectador.

Compraria uma utopia sorridente, a felicidade estampada, compraria o inestimável...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Trivialidade

Eu abro o jornal, ele conta o dinheiro e o Zé ara a terra
Arrumo a mochila, ele abre a maleta e o Zé cata alface
Pego o ónibus, ele liga pro lobista e O Zé planta milho
Me chamam de estudante, ele de político e o Zé de ignorante
Eu quero aprender, ele roubar e o Zé tentar viver
A mesada tá curta, o mensalão não acaba e a terra não produz
Eu quebro o braço, ele a cara e o Zé o bolso
Eu tenho unimed, ele o senado e o Zé as dívidas
Tv ligada, horario político, só pega a globo
Eu quero direitos, ele comprar votos, o Zé quer reforma
Ele promete, o Zé acredita
O voto é dado e a promessa eterna dívida

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Alguns dizem que é pena, eu chamo de bom senso

A imagem postar por si só...
E acreditem de todos as residencias nas redondezas de Laranjeiras a casa amarela e roxa conhecida como "sociedade viva Cazuza" é a única que parece isenta de "pixes",grafites e afins.
Se existe algum segurança robusto e intimador?
Realmente não sei.
Mas ainda acredito no bom senso...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"O que você quer ser quando crescer?"

bem o final do ano está chegando e fica difícil de não sermos quetionados constantementes com aquela pergunta "o que você vai ser quando crescer?", desde pequenos ouvimos isso.
Temos a fase que queremos ser apenas "grandes", depois evoluímos para médicos (quando ganhamos nosso primeiro Estetoscópio de plástico), depois professor e assim em diante...
Quando a realidade se aproxima fica mais dificil de responder e essa pergunta vai ficando ingrata. Parece que vivemos em função de um futuro resumido numa graduação e em seguida em uma carreira, uma carreira que nos rotulará,antes de ser a Bia, eu serei uma doutoura, professora ou algum outro "ora" da vida.
Mas isso me assusta, não quero ser identificada nessa uniformidade, ou me destacar apenas por meus feitos profissionais.
Não quero pensar no que quero ser quando crescer, na verdade não quero crescer para ser, quero ser agora nesse exato instante.
O que eu quero então?
Só um currículo diferente....